quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Imagine

Este é um trecho do Livro “Decepcionado com Deus: Três Perguntas que Ninguém Ousa Fazer” de Philip Yancey, famoso escritor cristão norte-americano da atualidade. No momento estou devorando esse livro. Espero que vocês gostem. Boa Leitura.  
“...
O homem é o risco de Deus”, disse um teólogo. Um outro, Sören Kierkgaard, expressou-o da seguinte maneira: “Deus tem, por assim dizer, se aprisionado a si mesmo em sua resolução.” Quase tudo que os teólogos dizem acerca da liberdade humana soa um tanto quanto certo e um tanto quanto errado. Como um Deus soberano pode correr riscos ou se aprisionar a si mesmo? No entanto, a criação do homem e da mulher, por Deus, se aproximou desse tipo surpreendente de autolimitação.
            Considere esta descrição fantasiosa da criação, feita por William Irwin Thompson:

            Imagine Deus no céu, cercado pelos coros de anjos que o adoram, cantando hosanas interminavelmente... “Se eu criar um mundo perfeito, sei qual será o resultado. Em sua absoluta perfeição, funcionará como uma máquina perfeita, jamais se desviando de minha vontade absoluta.” Uma vez que a imaginação de Deus é perfeita, para ele não há qualquer necessidade de criar tal universo: para ele é suficiente imaginá-lo para poder vê-lo em todos os seus detalhes. Tal universo não seria muito interessante quer para o homem quer para Deus, por isso podemos presumir que a Divindade prosseguiu em suas meditações. “Mas que aconteceria se eu criasse um universo que é livre, livre até mesmo de mim? O que aconteceria se eu escondesse a minha divindade de maneira que as criaturas fossem livres para cuidarem de suas próprias vidas, sem ficarem amedrontadas por minha presença onipotente? As criaturas irão me amar? Posso ser amado por criaturas que não programei para me adorarem eternamente? Será que da liberdade pode surgir o amor? Meus anjos me amam incessantemente, mas eles podem me ver a todo o tempo. Que acontecerá se eu criar seres à minha própria imagem como um criador, seres que sejam livres? Mas, se eu introduzir liberdade nesse universo, corro o risco de também introduzir o mal, pois se forem livres, então serão livres para se desviar de minha vontade. Bem... Mas o que acontecerá se eu continuar a interagir com esse universo dinâmico, o que acontecerá se eu e as criaturas juntos nos tornarmos os criadores de uma grande peça cósmica? O que acontecerá se, de cada ocasião de manifestação do mal, eu reagir com um bem inimaginável, um bem que supera totalmente o mal ao se manifestar inesperadamente a partir das próprias tentativas do mal de negar o bem? Essas novas criaturas de liberdade irão me amar, unir-se-ão a mim para criar o bem a partir do mal, algo novo a partir da liberdade? O que acontecerá se eu me unir a elas no mundo de limitação e forma, o mundo de sofrimento e mal? Ah... num universo verdadeiramente livre, nem eu mesmo sei como isso acabará. Será que eu mesmo tenho coragem de assumir esse risco em nome do amor?”  

Nenhum comentário:

Postar um comentário