quinta-feira, 1 de março de 2012

RAÍZES ARRANCADAS


Para reflexão, palavras de Hobart Mowrer, ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, professor de Harvard e Yale:


"Durante várias décadas nós, psicólogos, víamos toda a questão do pecado e da responsabilidade moral como um grande pesadelo, e proclamamos a nossa libertação dele como algo que marcaria época. Mas, com passar do tempo, descobrimos que estar livre neste sentido, isto é, ter a desculpa de estar doente em vez da de ser pecador, é cortejar o perigo de também ficarmos perdidos. Este perigo é, creio eu, evidenciado pelo amplo interesse que há no existencialismo, o que estamos testemunhando atualmente. Tornando-nos amorais, eticamente neutros e livres, cortamos as próprias raízes do nosso ser, perdemos o nosso mais profundo senso de identidade pessoal, e com os neuróticos nos vemos perguntando: "Quem sou eu, qual é o meu destino mais profundo, qual é o sentido da vida?"
Em reação ao estado próximo do limbo a que nos precipitamos, de repente nos cientificamos, uma vez mais, do problema dos valores e da sua centralidade nas atividades humanas. Esta tendência transparece claramente em programas de nossas recentes reuniões profissionais, em artigos de jornais e, até certo ponto, em nossos livros didáticos. É evidente que algo verdadeiramente básico está ocorrendo com os psicólogos e com a sua própria imagem."

Sem necessidades de adendos, o texto fala por si.



Fonte: "Sin, the Lesser of two Evils", American Psychologist, 15 (1960): 301-304

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